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Linfoma não Hodgkin: entenda o câncer que vitimou o cantor Netinho

Doença atinge o sistema linfático, pode apresentar sintomas variados e tem diferentes níveis de agressividade; no caso do artista, o diagnóstico foi de linfoma plasmoblástico.

A morte do cantor Netinho, ocorrida na última terça-feira (13), trouxe atenção para o linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo contra infecções. A doença apresenta diferentes subtipos, com características e níveis de agressividade que influenciam as possibilidades de tratamento e cura.

Segundo a hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, o tipo de linfoma diagnosticado no artista foi o plasmoblástico, considerado mais agressivo e de tratamento mais difícil.

“É um tipo específico desse linfoma, mais agressivo e mais difícil de tratar. A chance de cura desse linfoma é uma chance menor do que alguns outros linfomas não Hodgkin mais conhecidos”, pontuou a especialista.

O que é o linfoma não Hodgkin

O linfoma não Hodgkin é uma neoplasia maligna que se origina no sistema linfático, formado por órgãos, vasos e gânglios que participam da defesa do organismo. Esse sistema transporta a linfa e abriga os linfócitos, células importantes para o funcionamento do sistema imunológico.

A doença surge quando essas células sofrem alterações genéticas e passam a se multiplicar de maneira desordenada, podendo provocar o aumento dos linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas. Essas estruturas estão presentes em diferentes regiões do corpo, principalmente no pescoço, nas axilas e nas virilhas.

Existem diferentes subtipos da doença, classificados de acordo com as células envolvidas. Os linfomas de células B representam a maioria dos casos, mas também existem aqueles que afetam os linfócitos T e as células NK.

Quais são os sintomas

De acordo com as características da doença, os sintomas podem variar. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Febre persistente;
  • Suores noturnos;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Cansaço ou fadiga extrema;
  • Aumento perceptível dos gânglios linfáticos;
  • Dores abdominais;
  • Dificuldades respiratórias, especialmente em quadros mais avançados.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha linfoma. No entanto, alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Quantos casos existem no Brasil

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam uma incidência anual de 10.180 novos diagnósticos de linfoma não Hodgkin no Brasil.

Apesar dos avanços na medicina, a causa exata da doença ainda não é totalmente conhecida. Alguns fatores, porém, estão associados a um risco maior de desenvolvimento do câncer.

Entre eles estão a idade, o histórico de doenças autoimunes, a exposição à radiação ou a determinadas substâncias tóxicas e as condições de imunossupressão, que comprometem o funcionamento do sistema imunológico.

Algumas infecções virais e bacterianas também são consideradas fatores de atenção médica, incluindo a infecção pelo HIV e a presença da bactéria Helicobacter pylori.

Como é feito o diagnóstico

A investigação do linfoma não Hodgkin envolve diferentes exames para confirmar a doença, identificar seu subtipo e avaliar a extensão do comprometimento no organismo.

Entre os procedimentos utilizados estão a biópsia, as tomografias, as ressonâncias magnéticas e o PET-CT, exame que auxilia na identificação de áreas com atividade metabólica elevada e na avaliação da extensão da doença.

Após a confirmação do diagnóstico, é realizado o estadiamento, que classifica o linfoma em estágios de I a IV, conforme a distribuição e a extensão da doença. Essa avaliação ajuda a determinar se o câncer está restrito a determinadas regiões do sistema linfático ou se também atingiu outros órgãos.

Quais são os tratamentos

A escolha do tratamento depende do subtipo do linfoma, do estágio da doença, das condições clínicas do paciente e de outros fatores avaliados pela equipe médica.

As opções podem incluir quimioterapia, radioterapia e transplante de células-tronco. A combinação de procedimentos e a resposta ao tratamento variam conforme as características de cada caso.

No linfoma plasmoblástico, como o diagnosticado em Netinho, a agressividade da doença e a maior dificuldade de tratamento tornam a avaliação especializada ainda mais importante. O acompanhamento médico permite definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

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