CPI do Crime Organizado rejeita relatório e encerra trabalhos sem documento final

Parecer previa indiciamento de ministros do STF, mas foi barrado por maioria dos senadores

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitaram o relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que incluía, entre outros pontos, o pedido de indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal.

O parecer foi derrotado por seis votos contrários e quatro favoráveis, o que resultou no encerramento dos trabalhos da CPI sem a aprovação de um relatório final.

Antes da votação, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não prorrogar o funcionamento da CPI. Segundo ele, isso comprometeu os resultados da investigação.

Contarato também apontou dificuldades impostas pelo STF para a oitiva de depoentes e acesso a informações, o que, segundo ele, prejudicou a coleta de provas. Apesar disso, defendeu a importância da Corte para a democracia e se posicionou contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório, afirmando que uma CPI deve focar na investigação e não em disputas políticas. Ele votou contra o parecer por discordar dos pedidos de indiciamento.

Durante a sessão, houve ainda a substituição de integrantes da comissão: Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) assumiram vagas anteriormente ocupadas por Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), por indicação do líder de bloco Eduardo Braga (MDB-AM).

Após a derrota, Alessandro Vieira atribuiu o resultado à articulação do governo federal e afirmou que a pauta ainda deve voltar a ser discutida no futuro.

A CPI funcionou por 120 dias e apresentou um relatório de 220 páginas, no qual foram mapeadas 90 organizações criminosas atuantes no país. Entre elas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

Segundo o documento, essas organizações exercem controle territorial em diversas regiões, influenciam atividades econômicas e utilizam a lavagem de dinheiro como principal mecanismo de sustentação. O relatório também destacou que cerca de 26% do território nacional teria algum nível de influência do crime organizado, afetando aproximadamente 28,5 milhões de brasileiros.

Apesar da rejeição, o parecer apresentou propostas de combate à criminalidade, incluindo o fortalecimento de ações integradas como as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), além de estratégias voltadas à descapitalização financeira das organizações criminosas e ampliação da cooperação internacional.

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