Toffoli é sorteado relator de ação que cobra instalação de CPI para investigar fraudes no Banco Master

Pedido protocolado no STF questiona omissão da Câmara dos Deputados na criação da comissão parlamentar de inquérito

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido nesta quarta-feira (11) como relator de uma ação que pede para obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar fraudes envolvendo o Banco Master.

A definição ocorreu por meio do sistema eletrônico de distribuição de processos da Corte. Mesmo após ter deixado voluntariamente a relatoria do inquérito sobre o caso, Toffoli não foi declarado impedido de atuar em novos processos relacionados ao tema, o que permitiu sua participação no sorteio.

No mês passado, o ministro decidiu se afastar da investigação após a Polícia Federal informar ao presidente do STF, Edson Fachin, que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro citavam o nome de Toffoli. O aparelho foi apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

O processo que agora será analisado pelo ministro é um mandado de segurança apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg. O parlamentar argumenta que o requerimento para criação da CPI já cumpre todos os requisitos constitucionais e que há omissão do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a comissão.

Segundo Rollemberg, o pedido conta com 201 assinaturas — número superior a um terço dos deputados — além de apresentar objeto definido e prazo determinado, conforme exige a Constituição.

O caso envolve as investigações sobre o colapso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025 após a instituição enfrentar uma grave crise financeira. As apurações indicam um esquema de fraudes bilionárias, estimado em cerca de R$ 17 bilhões, incluindo a criação de carteiras de crédito falsas e tentativas de negociação desses ativos com o Banco de Brasília.

As investigações resultaram na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, além do afastamento de servidores do Banco Central e da liquidação de instituições financeiras ligadas ao esquema.

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