TCE aprova contas de 2022 da Prefeitura de Cuiabá com ressalvas e reforça necessidade de revisão no financiamento da saúde

As contas da Prefeitura de Cuiabá referentes ao exercício de 2022 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) nesta terça-feira (3), após a análise de um recurso apresentado pelo Município. O parecer favorável foi dado por cinco conselheiros: Valter Albano (relator), Waldir Teis, Domingos Neto, Guilherme Maluf e o presidente da Corte, Sérgio Ricardo.

O TCE reconheceu fatores excepcionais que impactaram negativamente o equilíbrio fiscal da capital, como a frustração de receitas e os atendimentos de saúde realizados para pacientes de outros municípios, sem o devido cofinanciamento por parte do Estado.

Esforços durante a pandemia e aumento de custos

Em seu voto, o relator Valter Albano destacou o esforço da Prefeitura para ampliar os serviços de saúde durante a pandemia de Covid-19, o que gerou um aumento de mais de 46% nas despesas municipais. Esse aumento foi acompanhado de uma redução nos repasses estaduais e federais, agravando o déficit nas contas públicas.

O relator também mencionou outras dificuldades enfrentadas pelo Município, como:

  • A falta de repasses do Estado para o financiamento da saúde pública.
  • O aumento das despesas com atendimentos a pacientes de outras cidades, sem contrapartida financeira.
  • Gastos represados de exercícios anteriores.
  • Registros tardios de despesas, que, embora legítimos, pressionaram o orçamento.

Dados sobre o impacto financeiro

Albano ressaltou que, em 2020, as despesas com saúde aumentaram 46,46% em relação ao ano anterior, enquanto os repasses do SUS cresceram apenas 31,55%. Em 2022, o cenário piorou, com um aumento de 27,1% nas despesas com saúde, somando cerca de R$ 313 milhões. Paralelamente, houve uma redução de aproximadamente R$ 200 milhões nos repasses do SUS em relação a 2021.

Defasagem da Programação Pactuada Integrada (PPI)

A decisão também destacou a necessidade urgente de o Governo do Estado revisar a Programação Pactuada Integrada (PPI), que define as ações de saúde destinadas aos municípios. Segundo Albano, a defasagem da PPI tem gerado um descompasso na alocação de responsabilidades entre os municípios.

Ele exemplificou com um caso teórico: “Um município como Poconé deveria ser atendido por Várzea Grande para 60 procedimentos, mas, na prática, Várzea Grande estaria realizando 156 atendimentos. Esse desajuste reforça a urgência de atualizar a PPI para assegurar equilíbrio financeiro e responsabilidades justas”.

Atendimentos sem contrapartidas financeiras

Outro ponto enfatizado foi o atendimento contínuo a pacientes de outras cidades e até de outros estados, sem qualquer apoio financeiro dos municípios de origem. Esse cenário, segundo o parecer, sobrecarrega o orçamento de Cuiabá e compromete os serviços oferecidos aos próprios cidadãos da capital.

Conclusão

O parecer do TCE destacou a importância de ajustes nos mecanismos de pactuação e financiamento, visando evitar desequilíbrios futuros e reforçar a sustentabilidade das políticas públicas de saúde. As contas foram aprovadas, mas com ressalvas, evidenciando os desafios enfrentados pela gestão municipal.

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