Presidente pretende estimular a devolução dos aparelhos por meio dos Correios, e não das delegacias
O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Frederico Murta, afirmou que o presidente Lula descredibiliza a atuação das forças policiais brasileiras ao sugerir que cidadãos possam ter receio de procurar delegacias para devolver celulares roubados.
A declaração polêmica do presidente ocorreu na última semana, durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como “Conselhão”, em Brasília.
Na ocasião, ao comentar as ações do governo federal para combater a receptação de celulares furtados e roubados, o presidente afirmou que pretende estimular a devolução dos aparelhos por meio dos Correios, e não das delegacias.
“Além de falar que o pobre gosta de coisa roubada, de defender os receptadores, agora o chefe do Poder Executivo resolveu descredibilizar a polícia publicamente”, afirmou Murta, em um vídeo publicado em suas redes sociais.
Na publicação, o delegado rebate a declaração de Lula e afirma que a população encontra nas delegacias profissionais comprometidos com a segurança pública: “Se o cidadão for numa delegacia, senhor presidente, o que ele vai encontrar são homens e mulheres trabalhadores. Pessoas que arriscam suas vidas todos os dias para proteger os brasileiros dos seus meninos”.
Murta reconhece que as forças de segurança precisam evoluir em áreas como o atendimento ao público, mas considera injusta a generalização feita pelo presidente.
“Nós somos servidores públicos e a nossa obrigação é atender bem. Sempre vai ter algo para melhorar. Mas dizer que a pessoa não pode ir na delegacia porque não sabe o tipo de profissional que vai encontrar lá, isso é demais”.
Em outro momento da gravação, o delegado afirma que cidadãos de bem não têm receio da atuação policial e sustenta que a declaração presidencial enfraquece a confiança da população nas instituições de segurança.
“A pessoa de bem não tem medo da polícia. Quem não gosta da polícia é vagabundo, é bandido. Uma fala dessa diz muito mais sobre você, senhor presidente, do que sobre nós”.