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França avalia toque de recolher após onda de saques e violência

Governo atribui parte dos distúrbios a grupos de extrema-esquerda; cerca de 3 mil lojas foram afetadas e quase mil policiais ficaram feridos.

O governo da França avalia impor toques de recolher localizados após um fim de semana marcado por tumultos, saques e confrontos entre manifestantes e policiais. Nesta segunda-feira (19), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que não descarta a possibilidade de declarar estado de emergência, mas considera medidas parciais mais adequadas neste momento.

Em entrevista coletiva, Lecornu declarou que sua prioridade é restabelecer a ordem pública. O premiê, no entanto, descartou a adoção de um toque de recolher generalizado em Paris e não informou quais cidades poderão ser submetidas às restrições.

Os episódios de violência ocorreram após semanas de manifestações estudantis e ampliaram a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. A crise acontece seis meses antes da próxima eleição presidencial e em meio a dificuldades econômicas e ao aumento da dívida pública francesa.

Governo responsabiliza grupos de extrema-esquerda

Lecornu atribuiu parte dos distúrbios a grupos de extrema-esquerda e afirmou que há setores interessados em provocar instabilidade no país às vésperas da eleição presidencial.

O candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon, identificado com a extrema-esquerda, contestou a acusação e cobrou provas do primeiro-ministro. Em publicação na rede social X, ele afirmou que, caso não apresente evidências, Lecornu deveria se desculpar e deixar de estimular a tensão política.

Comércio contabiliza prejuízos

A Federação do Comércio e do Varejo informou que quase 3 mil estabelecimentos comerciais foram afetados durante o fim de semana.

A entidade afirmou que o setor enfrenta uma sequência de crises e pediu isenção de contribuições previdenciárias e impostos para as empresas prejudicadas. Segundo a federação, os saques causaram perdas para empresários, trabalhadores e famílias que dependem das atividades comerciais.

Lecornu anunciou que o governo disponibilizará, a partir desta terça-feira (20), medidas de suspensão temporária de contratos de trabalho para auxiliar as empresas afetadas.

Os confrontos também deixaram um elevado número de vítimas. Cerca de 2,4 mil pessoas foram presas, quase mil policiais ficaram feridos e um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca no sábado.

Crise pressiona governo e mercados

A instabilidade política também repercutiu nos mercados financeiros. Nesta segunda-feira, os ativos franceses tiveram desempenho inferior ao dos mercados europeus em geral, embora as oscilações tenham sido mais moderadas do que em episódios anteriores de tensão política.

A crise aumenta as preocupações em um momento delicado para o governo, que precisa avançar com um projeto de orçamento voltado ao controle das contas públicas.

O gabinete de Macron informou que o presidente recusou o pedido de renúncia do ministro do Interior, Laurent Nuñez. Em vez de deixar o cargo, o ministro recebeu a orientação de atuar para encerrar os bloqueios e saques e esclarecer as falhas de segurança apontadas pelo presidente.

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