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Eleições de meio de mandato nos EUA enfraquecem governo Trump

Democratas conquistam maioria no Congresso e ampliam pressão sobre o presidente; disputa também renovou parte do Senado e definiu governadores em 36 estados.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, realizadas nesta semana, alteraram a composição do Congresso e impuseram uma derrota política ao presidente Donald Trump. A vitória dos democratas na disputa por cadeiras legislativas reflete o desgaste do governo republicano e pode dificultar a aprovação de projetos do Executivo nos próximos dois anos.

Diferentemente do Brasil, onde as eleições gerais para presidente, governadores e parlamentares ocorrem a cada quatro anos, os Estados Unidos realizam eleições legislativas no meio do mandato presidencial. A votação permite renovar parte do Congresso e avaliar o nível de apoio popular ao governo em exercício.

Nas midterms, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, ficam em disputa. Também são renovados aproximadamente um terço dos assentos do Senado.

Na Câmara, os deputados têm mandato de dois anos e, por isso, todos os parlamentares precisam passar novamente pelas urnas a cada eleição de meio de mandato.

Já os senadores têm mandato de seis anos. Como o Senado americano possui 100 integrantes, a renovação ocorre de forma escalonada, com 34 ou 35 vagas em disputa a cada dois anos. Nesta eleição, foram 35.

Por esse motivo, nem todos os 50 estados participam da escolha de novos senadores. Na votação de 3 de novembro, 15 estados não tiveram eleições para o Senado: Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin.

Por que as eleições são importantes?

As eleições de meio de mandato funcionam como um termômetro da opinião pública sobre o presidente e sua administração. Quando há insatisfação com o governo federal, parte dos eleitores tende a apoiar candidatos do partido de oposição, alterando a distribuição de forças no Congresso.

Nos Estados Unidos, dois partidos concentram a maior parte da representação política: o Republicano e o Democrata. Também existem outras legendas, como o Partido Verde e o Partido Libertário, mas com participação reduzida no Congresso.

Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, pertence ao Partido Republicano. A conquista de maioria pelos democratas representa um revés para o governo e sinaliza a insatisfação de parte do eleitorado com sua administração.

O desgaste já aparecia nas pesquisas de opinião dos últimos meses. Os índices de aprovação de Trump não ultrapassavam 30%, enquanto a desaprovação permanecia na faixa dos 60%.

Com a oposição em posição majoritária no Congresso, Trump deverá enfrentar mais obstáculos para aprovar propostas do Executivo até o fim do mandato, especialmente em temas considerados polêmicos, como a política de tarifas comerciais contra outros países e a guerra contra o Irã.

O Congresso americano tem papel fundamental na aprovação do orçamento, na criação e alteração de leis e na confirmação de indicações presidenciais para cargos importantes, como integrantes da Suprema Corte, membros do Gabinete Presidencial e dirigentes de agências federais, entre elas o FBI e a CIA.

Os parlamentares também exercem influência sobre a destinação de recursos para apoio militar a países envolvidos em conflitos e sobre decisões relacionadas à declaração de guerra.

Eleições também definem governadores

As midterms não se limitam à escolha de deputados e senadores. Nesta eleição, 36 dos 50 estados americanos também escolheram novos governadores.

As regras eleitorais variam entre os estados, o que significa que nem todos realizam eleições para o governo estadual no mesmo ano. Nova Jersey e Virgínia, por exemplo, tiveram suas últimas eleições para governador em 2025 e só voltarão a escolher seus representantes em 2029.

Cada estado também possui uma cédula própria, com cargos e consultas específicas.

No Kansas, os eleitores escolheram representantes para deputado federal, senador, governador, secretário de Estado, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros.

Já no Missouri, estado vizinho ao Kansas, a votação incluiu cargos de auditor estadual, deputado federal e representantes estaduais, equivalentes aos deputados estaduais no Brasil.

Consultas populares também fazem parte da votação

Além da escolha de representantes, os estados aproveitam a mobilização dos eleitores para realizar consultas populares sobre diferentes assuntos.

No Kansas, por exemplo, a cédula eleitoral incluiu uma consulta. No Missouri, foram oito questões submetidas à avaliação dos eleitores. Esse modelo permite que a população participe diretamente de decisões estaduais, além de escolher os representantes responsáveis pela administração pública e pela elaboração das leis.

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