Presidente do Supremo defendeu devido processo e garantias constitucionais; Lula cobrou transparência e criticou vazamentos seletivos durante evento no Planalto
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (4), em Brasília, que a resposta do Judiciário às suspeitas envolvendo a condução do caso do Banco Master e ao vazamento de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seguirá os limites da lei.
“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou Fachin.
Em meio à crise que se intensificou no Poder Judiciário nesta semana, o presidente do STF disse que a apuração seguirá os procedimentos previstos na Constituição Federal e no ordenamento jurídico.
“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou.
Fachin também ressaltou a importância da preservação das instituições da República, principalmente em períodos de tensão. Segundo ele, nenhuma autoridade ou Poder está acima da Constituição.
“Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
As declarações foram feitas no Palácio do Planalto, durante a cerimônia de sanção de leis que criam fundos destinados ao aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU).
Os fundos têm o objetivo de ampliar as fontes de recursos para modernizar as instituições e aumentar o acesso da população à Justiça.
Igualdade
Durante o mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a legislação brasileira deve ser aplicada de forma igual a todos os cidadãos.
“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou Lula.
Para o presidente, todos devem estar submetidos aos mesmos procedimentos previstos na legislação.
“Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, disse.
Lula critica vazamentos seletivos
Ao se dirigir a Fachin e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Lula defendeu transparência na condução da crise e afirmou que a falta de esclarecimentos pode comprometer a credibilidade do Judiciário perante a opinião pública.
“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou.
Lula também afirmou que a divulgação de informações de investigações pode representar um risco para a democracia.
“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.
Entenda a crise
Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou a Fachin um pedido de abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes. A solicitação ocorreu após um relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso por suspeitas de fraudes no Banco Master.
Em resposta, na quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação sobre a atuação de Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.
Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia pedido a anulação da investigação sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro.
Nesta sexta-feira, Fachin estabeleceu prazo de cinco dias para que André Mendonça e Paulo Gonet se manifestem sobre o caso.