Hospital realiza procedimento inédito em Cuiabá que amplia precisão no diagnóstico de doenças do coração

Tecnologia inédita em Mato Grosso combina ultrassom intracoronário e infravermelho para personalizar o tratamento e aumentar a segurança de pacientes com doenças coronárias

A medicina cardiovascular de Mato Grosso alcançou um novo marco nesta quarta-feira (15), com a realização do primeiro procedimento utilizando o Sistema Makoto no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. A tecnologia de última geração reúne ultrassom intracoronário (IVUS) e espectroscopia por infravermelho (NIRS), permitindo uma análise mais detalhada das artérias coronárias e tornando o diagnóstico e o tratamento das doenças do coração mais precisos e personalizados.

O avanço chega em um momento de alerta para a saúde pública. Segundo dados do Ministério da Saúde (DataSUS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Mato Grosso, com cerca de 6 mil óbitos registrados por ano. Em nível nacional, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima aproximadamente 400 mil mortes anuais, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que essas enfermidades provocam cerca de 17,9 milhões de mortes por ano em todo o mundo.

O procedimento foi conduzido pelos cardiologistas intervencionistas Leandro C. Mandaloufas e Nelson Artur dos Reis, integrantes da equipe do Hospital Santa Rosa. Ambos destacam que a nova tecnologia representa um importante avanço para a cardiologia intervencionista ao oferecer informações detalhadas em tempo real durante o cateterismo.

O Sistema Makoto funciona como um scanner de alta precisão das artérias do coração. Durante o exame, realizado de forma minimamente invasiva, o equipamento combina duas tecnologias em um único procedimento. Enquanto o ultrassom intracoronário permite avaliar a anatomia da artéria, seu diâmetro, grau de calcificação e a expansão do stent, a espectroscopia por infravermelho identifica placas ricas em gordura, consideradas mais instáveis e associadas a maior risco de infarto e outros eventos cardiovasculares.

De acordo com os especialistas, essa combinação supera as limitações da angiografia tradicional, que mostra apenas o fluxo sanguíneo por meio de contraste e raio X, sem revelar detalhes da parede dos vasos.

Além de melhorar a identificação das chamadas placas vulneráveis, a tecnologia auxilia no planejamento da angioplastia, permitindo definir com maior precisão o tamanho, o comprimento e o posicionamento do stent, além de confirmar se o implante foi realizado corretamente.

Estudos científicos já demonstram que o uso do ultrassom intracoronário aumenta a qualidade dos procedimentos quando comparado à angiografia convencional. A associação com a espectroscopia por infravermelho amplia ainda mais a capacidade de identificar lesões com maior potencial de provocar complicações futuras.

Com a incorporação do Sistema Makoto, Mato Grosso passa a contar com um recurso disponível em grandes centros de cardiologia do mundo, ampliando as possibilidades de diagnóstico e contribuindo para tratamentos mais individualizados, seguros e baseados em evidências científicas. Segundo os especialistas, o principal beneficiado com a inovação é o paciente, que passa a receber uma abordagem mais precisa e personalizada no combate às doenças coronárias.

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