Documento aponta aumento de ataques na Cisjordânia e acusações de crimes de guerra cometidos por ambos os lados do conflito
Um relatório divulgado nesta terça-feira (9) pela Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que a população civil palestina continua sendo vítima de graves violações de direitos humanos tanto por parte de forças israelenses e colonos na Cisjordânia quanto de integrantes do Hamas na Faixa de Gaza.
O documento, elaborado pela Comissão Internacional Independente da ONU sobre a Palestina, será debatido na próxima semana durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da organização. O relatório analisa episódios registrados entre 2024 e 2025 e aponta que civis palestinos estão submetidos a um cenário de violência e sofrimento contínuos em diferentes territórios.
Segundo a comissão, Israel é responsabilizado pelas ações praticadas por colonos israelenses na Cisjordânia, onde foi identificado um aumento dos ataques contra palestinos. O relatório sustenta que a violência dos colonos estaria alinhada a políticas voltadas à manutenção da ocupação e à expansão de assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.
Em relação à Faixa de Gaza, o documento atribui ao Hamas a responsabilidade por uma série de atos de violência contra a própria população palestina. A comissão registrou 249 casos de execuções e outras formas de violência grave, que resultaram em pelo menos 108 mortes e 384 feridos. De acordo com a investigação, cerca de 60 desses incidentes tiveram participação direta do grupo islamista, incluindo execuções públicas.
O presidente da comissão, o jurista indiano Srinivasan Muralidhar, afirmou que o aspecto mais preocupante identificado pela investigação é a imposição deliberada de sofrimento à população civil palestina. Segundo ele, tanto as ações atribuídas aos colonos israelenses quanto as medidas punitivas adotadas pelo Hamas contribuem para agravar a situação humanitária da população.
A comissão concluiu que os atos documentados podem configurar crimes de guerra e violações do direito internacional, reforçando a necessidade de responsabilização dos envolvidos e de proteção aos civis afetados pelo conflito.