Com mais de 90% das urnas apuradas, candidata conservadora mantém vantagem apertada, mas votos das regiões rurais podem alterar o resultado final
A eleição presidencial do Peru permanece em clima de expectativa nesta segunda-feira (8), com o resultado ainda indefinido. Com pouco mais de 90% das urnas apuradas, a candidata conservadora Keiko Fujimori aparece à frente do esquerdista Roberto Sánchez por uma margem inferior a um ponto percentual, diferença considerada insuficiente para apontar um vencedor.
Segundo os dados preliminares, Keiko soma 50,4% dos votos válidos, contra 49,6% de Sánchez. No entanto, a tendência é de que a vantagem diminua à medida que forem contabilizados os votos das regiões rurais e andinas, onde o candidato de esquerda possui maior apoio eleitoral.
“Por enquanto, não há vencedor. Os próximos dias serão longos”, afirmou Keiko Fujimori, que disputa a Presidência pela quarta vez e busca retornar ao protagonismo político nacional.
A acirrada disputa reflete a profunda divisão política e social do país. Enquanto as regiões costeiras e urbanas demonstram preferência por Keiko, o sul andino e as comunidades rurais e indígenas concentram apoio a Roberto Sánchez.
A segurança pública foi um dos principais temas da campanha. Diante do aumento da violência, especialmente na capital Lima, Keiko defendeu medidas mais rígidas de combate ao crime, incluindo o apoio das Forças Armadas às ações policiais e o endurecimento contra organizações criminosas.
Por outro lado, Sánchez concentrou seu discurso em propostas de fortalecimento das instituições democráticas, reforma do sistema de Justiça e reestruturação das forças de segurança. O candidato também pediu cautela aos seus apoiadores enquanto aguarda a conclusão da apuração.
Apesar da elevada participação eleitoral — o voto é obrigatório no Peru e cerca de 27 milhões de eleitores compareceram às urnas —, analistas apontam que o resultado evidencia uma crise de representatividade. No primeiro turno, os dois finalistas somaram menos de 30% dos votos válidos, demonstrando a fragmentação do cenário político.
O próximo presidente terá o desafio de governar um país que vive sucessivas crises institucionais e que já teve oito presidentes desde 2016. Além disso, enfrentará um Congresso altamente fragmentado, sem maioria consolidada, o que exigirá negociações permanentes para garantir governabilidade.
Keiko Fujimori, de 51 anos, sustenta parte de sua campanha no legado econômico do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000. Já Roberto Sánchez, de 57 anos, apresenta-se como aliado político do ex-presidente Pedro Castillo e defende uma agenda voltada à reforma institucional.
A posse do futuro presidente está prevista para 28 de julho, data em que o Peru celebrará mais um aniversário de sua independência em meio a um dos processos eleitorais mais disputados dos últimos anos.