Projeto “Gente Que Faz”, criado por Rafael Gonzalez, destaca histórias de pioneiros do Nortão e estreia com engenheiro aeronáutico que ajudou a desenvolver aeronave brasileira reconhecida mundialmente
Uma história que poderia facilmente estar em livros sobre os primeiros passos da aviação mundial nasceu em Sinop, no Norte de Mato Grosso. O engenheiro civil Rafael Gonzalez lançou o quadro “Gente Que Faz”, projeto criado para valorizar personalidades que ajudaram a transformar a região por meio da inovação, criatividade e coragem.
O episódio de estreia apresenta a trajetória do professor e engenheiro aeronáutico Quintino, que construiu um avião artesanal dentro da garagem de casa, em uma época em que, segundo ele, “faltava tudo” na cidade. Apaixonado por aviação desde a infância, Quintino começou fabricando aeromodelos ainda adolescente, inspirado pelas aeronaves do Exército que pousavam em Sinop.
Com o tempo, o sonho ganhou proporções maiores até se transformar em realidade. Após cerca de quatro anos de trabalho, o avião foi concluído e chegou a voar no aeroporto municipal da cidade.
Anos depois, já estudante de engenharia aeronáutica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Quintino participou da construção de componentes do CEA 308, aeronave brasileira que entrou para a história ao quebrar três recordes mundiais de velocidade reconhecidos pela Federação Aeronáutica Internacional. O avião alcançou marcas inéditas nas categorias de velocidade em 15 quilômetros, 100 quilômetros e tempo de subida até três mil metros, tornando-se o primeiro avião brasileiro motorizado a conquistar um recorde mundial reconhecido internacionalmente após a era Santos Dumont.
Durante a entrevista, Quintino relembrou a participação direta na fabricação de partes da fuselagem e das asas da aeronave. Para ele, o projeto mostrou que grandes inovações também podem nascer longe dos grandes centros.
Segundo Rafael Gonzalez, o objetivo do “Gente Que Faz” vai além da tecnologia e da engenharia. A proposta é mostrar histórias de pessoas que ajudaram a construir o desenvolvimento do Norte de Mato Grosso por meio de ideias transformadoras.
“A maior tecnologia sempre vai ser a capacidade humana de imaginar soluções e fazer acontecer”, destaca Rafael.
O engenheiro também atua em projetos de regularização de imóveis, prevenção e combate a incêndio, além de participar de iniciativas ligadas ao CREA-MT, à Mútua e à AENOR, onde exerce a função de coordenador de eventos. Com o novo projeto, ele pretende fortalecer a valorização das engenharias e inspirar novas gerações a acreditarem no potencial criativo da região.