Declaração ocorre em meio a críticas internacionais e protestos internos contra ampliação da guerra
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira que o país pretende assumir o controle militar de toda a Faixa de Gaza, mesmo diante da intensificação das críticas internas e externas sobre a guerra que já dura quase dois anos no enclave palestino.
Em entrevista ao canal Fox News, Netanyahu disse que o objetivo não é governar o território, mas estabelecer um perímetro de segurança, entregando posteriormente a administração a forças árabes. Ele não detalhou quais países poderiam participar dessa gestão.
A declaração foi feita antes de uma reunião com ministros seniores para discutir a ocupação de áreas de Gaza que ainda não estão sob controle israelense. Entre as propostas, estaria a tomada gradual de territórios, precedida por avisos de retirada à população palestina.
O plano reverteria a decisão de 2005, quando Israel retirou tropas e colonos da Faixa de Gaza, embora tenha mantido o controle sobre fronteiras, espaço aéreo e infraestrutura básica.
O Hamas classificou as falas de Netanyahu como um “golpe flagrante” contra negociações e acusou o premiê de colocar em risco a vida dos reféns israelenses. Atualmente, segundo autoridades, restam 50 reféns no enclave, dos quais 20 estariam vivos.
Enquanto isso, cresce a pressão interna para um acordo que encerre a guerra e liberte os reféns. Protestos em Jerusalém reuniram centenas de manifestantes contrários à ampliação da ofensiva, com familiares pedindo que o governo aceite negociações.
Segundo estimativas israelenses, cerca de 75% de Gaza já está sob controle militar. A guerra, iniciada após o ataque do Hamas em outubro de 2023, deixou mais de 1.200 mortos em Israel e mais de 61 mil palestinos mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.