MEC pune mais de 50 cursos de medicina após baixo desempenho em avaliação nacional

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Médicos chegam ao local de prova para a segunda etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) 2020, em Brasília.

Medidas incluem suspensão de novas vagas, cortes em financiamentos estudantis e abertura de processos de supervisão

O Ministério da Educação (MEC) aplicou sanções a mais de 50 cursos de medicina em todo o país após resultados insatisfatórios no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. As medidas foram publicadas nesta semana no Diário Oficial da União e incluem desde a suspensão do ingresso de novos estudantes até restrições ao acesso a programas federais de financiamento estudantil.

A decisão foi tomada com base na avaliação de 351 cursos de medicina. As instituições punidas receberam notas 1 ou 2, em uma escala que vai até 5, e o nível das sanções foi definido conforme o percentual de estudantes considerados proficientes em cada curso.

Punições divididas por níveis de desempenho

O MEC organizou as instituições em três grupos, com medidas proporcionais à gravidade dos resultados.

No Grupo 1, com nota 1 e menos de 30% dos estudantes com proficiência, foram aplicadas as punições mais severas. As instituições tiveram suspensão imediata de novos ingressos, proibição de abertura de vagas e ficaram impedidas de firmar contratos com programas federais como o Programa Universidade para Todos e o Fundo de Financiamento Estudantil. Entre as atingidas estão a Universidade Estácio de Sá, a União das Faculdades dos Grandes Lagos e o Centro Universitário Alfredo Nasser.

No Grupo 2, formado por cursos com nota 1 e proficiência entre 30% e 40%, as instituições sofreram redução de 50% das vagas autorizadas, impedimento de expansão e restrições ao acesso ao Fies e a outros programas federais. Entre elas estão a Universidade de Mogi das Cruzes, a Universidade Nilton Lins e a Universidade do Contestado.

Já o Grupo 3, composto por cursos com nota 2 e proficiência entre 40% e 50%, recebeu redução de 25% nas vagas e restrições ao acesso a programas federais de financiamento. Nessa lista estão instituições como a Universidade de Cuiabá, a Universidade Santo Amaro, a Universidade de Marília e a Universidade Paranaense.

Outros cerca de 40 cursos que obtiveram nota 2, mas com mais de 50% de estudantes proficientes, foram incluídos em processo de supervisão e monitoramento, sem punições imediatas, garantindo às instituições o direito de defesa.

Universidades federais também entram em supervisão

Entre as instituições públicas avaliadas, as universidades federais do Pará, do Maranhão, da Integração Latino-Americana e do Sul da Bahia também passarão por processos de supervisão. A Universidade Federal do Pará foi a única instituição pública a sofrer sanção imediata, com redução de 50% das vagas no curso de medicina.

Segundo o MEC, as medidas cautelares poderão ser revistas, prorrogadas ou até agravadas a partir dos resultados da próxima edição do Enamed, prevista para 2026.

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