Resultado do Enamed aponta desempenho insuficiente em cerca de 30% dos cursos do país e acende alerta para a formação médica
O Ministério da Educação divulgou, nesta segunda-feira (19), os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de medicina em todo o Brasil. Os dados mostram que cerca de 30% dessas graduações tiveram desempenho considerado insatisfatório, com menos de 60% dos estudantes classificados como proficientes.
Entre os cursos que passarão por supervisão do MEC está o Centro Universitário do Pantanal (Unipantanal), localizado em Cáceres, no interior de Mato Grosso. A instituição integra a lista de 99 cursos vinculados ao Sistema Federal de Ensino — que inclui universidades federais e faculdades privadas — que poderão sofrer medidas cautelares, como redução de vagas e até suspensão da oferta de financiamento estudantil via Fies.
De acordo com o MEC, as sanções serão aplicadas de forma escalonada, conforme o desempenho apresentado no exame. “Quanto maior o risco ou ameaça ao interesse público, mais graves serão as medidas adotadas”, informou a pasta. Após a publicação oficial dos resultados no Diário Oficial da União, as instituições terão 30 dias para apresentar defesa. As medidas, caso confirmadas, permanecerão válidas até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026.
Desempenho nacional
Os melhores resultados foram registrados entre estudantes de universidades federais, que alcançaram média de 83,1% de proficiência, e de instituições estaduais, com média ainda maior, de 86,6%. Já os piores desempenhos ficaram com a rede municipal, cuja média foi de 49,7%, e com instituições privadas com fins lucrativos, que obtiveram média de 57,2%, abaixo do patamar considerado satisfatório.
Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade voltada exclusivamente para estudantes concluintes de medicina. Além de avaliar a qualidade da formação médica no país, o exame é obrigatório e pode ser utilizado como critério de acesso aos programas de residência médica unificados do MEC, organizados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por meio do Enare.
Em Mato Grosso, o resultado reacende o debate sobre a qualidade do ensino superior na área da saúde e o impacto direto da formação médica na oferta de profissionais qualificados para atender a população do estado, especialmente em regiões do interior.

