Ex-presidente do BRB é preso sob suspeita de esquema de propina milionária

0
44

Decisão do STF aponta acordo de R$ 146,5 milhões envolvendo compra de carteiras de crédito irregulares

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quarta-feira (16) durante a quarta fase da Operação Compliance, conduzida pela Polícia Federal. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em indícios de um esquema de pagamento de propina estimado em R$ 146,5 milhões.

Segundo a decisão, Costa teria acertado o recebimento do valor com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Parte da quantia seria paga por meio da transferência de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. Até o momento, a Polícia Federal afirma ter identificado repasses que somam ao menos R$ 74 milhões.

De acordo com as investigações, o restante da propina não foi quitado após Vorcaro tomar conhecimento de um procedimento investigatório em curso na Polícia Federal. Os investigadores apontam que o banqueiro teria interrompido os pagamentos ao ser alertado sobre a apuração sigilosa, possivelmente antes mesmo de receber documentos formais, enviados posteriormente por um funcionário via WhatsApp, em junho de 2025.

Além de Costa, também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador do esquema e responsável por receber diretamente cerca de R$ 86,1 milhões em valores ilícitos.

Na decisão, o ministro André Mendonça justificou as prisões preventivas com base na continuidade de práticas de ocultação patrimonial, risco de interferência nas investigações e possibilidade de rearticulação do esquema financeiro e jurídico, além da necessidade de preservar a ordem pública e econômica.

As apurações indicam que a contrapartida para os pagamentos seria o uso de recursos do BRB — banco controlado pelo Governo do Distrito Federal — para a aquisição de carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master. Estima-se que ao menos R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos tenham sido comprados, embora o valor total ainda não tenha sido confirmado e possa ser maior.

A Operação Compliance Zero investiga a existência de uma estrutura organizada para viabilizar a criação, negociação e transferência de carteiras de crédito fictícias entre as instituições financeiras envolvidas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here