CPMI do INSS aprova 87 requerimentos com quebras de sigilo e convocações

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Votação simbólica gera embate entre governo e oposição após questionamentos sobre contagem de votos

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26), em votação simbólica, 87 requerimentos que incluem pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal, além de convocações de investigados. Entre os alvos está Fabio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do Banco Master e da empresa CredCesta.

A reunião foi marcada por questionamentos sobre a contagem de votos e o formato da deliberação. Após o anúncio do resultado, parlamentares da base governista contestaram o modelo de votação em bloco.

O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o procedimento foi solicitado por integrantes do próprio governo, com base no regimento interno. Segundo ele, o painel eletrônico registrou a presença de 31 parlamentares.

“O governo veio à CPMI hoje com a decisão de bloquear toda a pauta e por requerimento solicitar uma votação em bloco. Contei duas vezes sete votos contrários, portanto a pauta de hoje está aprovada na integralidade”, declarou.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou questão de ordem e pediu a anulação da votação, alegando erro material na contagem. “Solicito a anulação do resultado por erro material na contagem. Nós vamos interpretar essa decisão como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação”, afirmou.

Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a manutenção da decisão, sustentando que o número de presentes garantia a aprovação da pauta. Em resposta, Carlos Viana reiterou que, em votações simbólicas, são computados apenas os votos contrários e rejeitou o pedido de anulação.

Quebras de sigilo e convocações

A comissão solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a elaboração de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre movimentações de Fabio Luis Lula da Silva entre 2022 e janeiro de 2026.

Também foram aprovadas quebras de sigilo do Banco Master, no período de 2015 a 2025, e da CredCesta, entre abril de 2017 e dezembro de 2025, com foco em operações relacionadas ao mercado de crédito consignado.

A CPMI ainda aprovou representação pela prisão preventiva do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, sob alegação de risco à instrução processual em investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.

Entre as convocações aprovadas estão a do ex-deputado André Moura, ex-líder do governo no Congresso durante a gestão de Michel Temer, e a do empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Também foi convocado o ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, apontado como responsável pela criação da CredCesta e citado em desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

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