Operação Essência mira esquema milionário de crimes ambientais e lavagem de dinheiro em MT

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Polícia Civil cumpre mandados, bloqueia empresas e apreende bens ligados ao comércio ilegal de madeira

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Essência, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso envolvido em um esquema milionário de crimes ambientais e lavagem de dinheiro relacionados ao comércio ilegal de madeira.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais, determina a suspensão das atividades econômicas de sete empresas ligadas ao grupo, o bloqueio de cadastros no Sistema de Controle Florestal (Sisflora), a quebra de sigilo de dados telemáticos e informáticos, além do bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 6,1 milhões.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema). O cumprimento das medidas ocorre na capital e conta com o apoio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), de servidores do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e do Ministério Público.

As investigações apontam que o grupo, formado por integrantes de uma mesma família, utilizava empresas para transportar e comercializar madeira de forma ilegal, inclusive espécies protegidas por lei, como a Castanheira (Bertholletia excelsa), cuja exploração é proibida pela legislação federal.

A apuração teve início em novembro de 2024, após a apreensão de um caminhão que transportava madeira com documentação falsa. Durante a fiscalização, foi identificada a presença de Castanheira na carga, espécie com exploração vedada.

Conforme a Dema, as empresas envolvidas estavam registradas em endereços inexistentes, emitiam guias florestais para destinatários fictícios, declaravam espécies diferentes das efetivamente transportadas e realizavam movimentação artificial de créditos entre empresas do mesmo grupo.

Entre 2023 e 2025, o esquema teria movimentado cerca de 13 mil metros cúbicos de produtos florestais, avaliados em mais de R$ 6 milhões. Ao todo, foram identificadas 913 guias florestais fraudulentas, sendo que uma única pessoa apareceu como destinatária em 364 documentos.

Segundo a delegada titular da Dema, Liliane Murata, os investigados declaravam espécies comuns nos documentos fiscais, mas transportavam madeira diversa, inclusive protegida. A Polícia Rodoviária Federal também identificou a repetição das práticas criminosas ao longo dos últimos anos.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e dimensionar a extensão total do esquema criminoso.

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