Trabalho une rabeca, ancestralidade, identidade trans e sonoridades de Mato Grosso em experiência artística imersiva
O Cine Teatro Cuiabá será palco, no próximo sábado (31), às 20h30, da pré-estreia de “Rabecaju”, novo álbum da multiartista Caju da Rabeca. Contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), por meio do edital Viver Cultura – Lei Paulo Gustavo, o projeto propõe um mergulho sensorial nas experimentações da artista com a rabeca, instrumento precursor do violino e símbolo da cultura popular brasileira.
Composto por 13 faixas, o álbum será lançado oficialmente nas plataformas digitais no dia 13 de fevereiro. Para participar da pré-estreia, que contará com tradução em Libras, o público deve retirar ingresso pela plataforma Sympla e contribuir com 2 quilos de alimento não perecível.
“Rabecaju” é construído a partir das vivências, memórias e trajetórias de Caju, que entende a rabeca como um corpo em constante transitoriedade, assim como sua própria existência. Inspirado nos folguedos “molhados” de rabeca, nos rasqueados e no siriri mato-grossense, além de batuques brasileiros, o álbum entrelaça sons de ganzás, mochos, violas de cocho, sanfonas e vozes que carregam territórios vividos e sonorizados.
Segundo a artista, o trabalho traduz o encontro entre o corpo exterior da rabeca — instrumento com identidade própria — e seu corpo trans, fluido e em movimento, que vive na Chapada dos Guimarães. “As composições permeiam registros de memórias vivas, que atravessam o teatro, a música e a construção de narrativas sonoras”, destaca.
O álbum também revisita composições já conhecidas, como “Girandeira”, que ganha nova roupagem com a participação do Coral Infantil Cantos do Cerrado, além de trazer gravações inéditas com o Grupo de Siriri Flor do Cambambi. O projeto ainda conta com a participação especial de artistas LGBTs — Cris Chaves, Luisa Lamar, Mônica Seven e Estela Ceregatti — em uma das faixas.
A apresentação de pré-estreia será ampliada por performances da dançarina Adriana Achla, protagonista do clipe de “Girandeira”, e do ator Andreel Ferreira, que interpreta o personagem Boi Cativa. Para Caju, o público é convidado a vivenciar mais que um show: uma experiência sensorial que envolve poesia, ruídos, silêncio e resistência.
Definido como um “organismo sonoro”, “Rabecaju” transforma música em paisagem, memória em gesto vivo e a rabeca em extensão do corpo. Um projeto que transita entre sonoplastia, poesia e registro ancestral, celebrando identidades dissidentes e a potência de todas as formas de vida que resistem, criam e celebram.

